A Morte não quer matar ninguém

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“A Morte Não Quer “Matar” Ninguém!

Segundo o Poço do Saber da Terra do Meio, a “Morte” só “mata” a Luz em nós!

A Luz em nós é a nossa “história sócio/pessoal”, que papa e mama nos vão

contando à medida que vamos crescendo, que as escolas e professores ampliam,

e que nós vamos formatando de acordo com nossas preferências,

nosso “eu”.

Porém, somos seres de “dupla-natureza”, Luz e Escuro (luz negra).

Vivemos também no Reino do Escuro,

em nossos “Sonhos da Noite”, porém negamos a realidade

dos Sonhos da Noite, classificando e qualificando a “vida” lá dentro,

de “apenas sonhos”, “bobagens”, “recalques”, “lixo mental”, etc.

Luz e Escuro são dimensões “complementares”,

de diferentes essências,

porém “interligadas e complementares”!

A Luz sempre recebe o Escuro complementar devido em seu redor, pleno, completo,

para encaixarem-se, numa relação de amor e consciência.

A relação de amor e consciência entre a Luz e o Escuro em nós,

nos leva ao “Meio”, balanço,

equilíbrio entre a Luz e o Escuro em Nós.

Se conseguimos “balancear” o Escuro e a Luz em nós,

então nos “sustentamos” no “Meio” de nós mesmos,

uma região “não-espacial e não-temporal”,

que alguns chamam de “espírito”, mas que distorcem

o conceito quando colocam o “espírito” para o “depois da Morte”!

No “Meio”, não há Morte!

No “Meio”, a Morte vira Porta que dissolve

a separação entre a “Luz e o Escuro”, entre este lado e os sonhos da noite!

Porém, quando a Luz rebaixa o Escuro para a categoria de “Trevas”, “Sombra”,

“inconsciência”, “demônio”, “ignorância”, “selvagem”, “sinistro”,

e procuramos então “fugir” dele, “negá-lo”, rejeitá-lo”,

então passamos a perceber e ter consciência apenas

da “sombra” da Luz em nós,

tudo aquilo que não gostamos em nós,

que rejeitamos, que negamos!

A “sombra” não é o Escuro!

A “sombra” esconde atrás de si o verdadeiro Escuro,

nosso Escuro amado,

nossa outra dimensão,

nossa vida no Reino dos Sonhos da Noite!

A “Sombra” se forma em nós porque a Luz que nos alimenta é ainda muito “imatura”,

pensa que ela é o “Deus” único, a “verdade”,

e assim começa a “cagar” regras e estabelecer

“padrões e referências” para as

virtudes, belezas, inteligências, etc!

Ao sermos impactados por esses “padrões e referências”,

nos sentimos insuficientes, aquém, diminuídos,

e passamos a procurar de alguma forma,

coisas e poderes para nos compensar,

carregando sempre conosco essa “sombra” maldita que

nos lembra sempre que “não somos bonitos”, “não somos bons”,

“não somos virtuosos”, etc

Porque vivemos nossa vida toda só “dando” alimento para nossa metade Luz, e

“negando” alimento para nossa metade Escuro, inclusive nunca

reconhecendo nosso Escuro como natureza independente,

e sempre fugindo, condenando, negando e tentando eliminar o Escuro em nós,

tarefa impossível,

terminamos morrendo porque a Morte “come” a Luz em nós,

e não aprendemos a viver, sentir, pensar e ser também pelo Escuro.

Não conseguimos nos “sustentar” em nosso “eu” de Escuro, e assim,

quando Dona Muerte “come” a Luz em nós,

morremos!!

A “Morte” não pretendia nos “matar”!

A “Morte” é apenas o “encontro” inevitável que todo ser que “nasceu”,

deve comparecer!

Quando “nascemos”, nascemos dos dois lados,

nos abrimos para viver e experienciar dos “dois” lados,

no lado da Luz, e no lado do Escuro, Luz Negra,

para um dia re-juntar esses dois lados que se re-abriram no nascimento.

A Morte é a re-junção inevitável, indispensável e necessária para

que possamos juntar nossas infinitas vivências e experiências

complementares que desfrutamos no lado de cá e no lado de lá!

A Morte é tão bela e tão amada como é o Nascimento!!

Nascemos para poder nos re-equilibrar!!

A Morte é a Porta-Equilíbrio,

uma corda que temos que andar sobre,

atravessar!

Se não estamos em equilíbrio,

caímos e não passamos a Porta Morte,

tendo que voltar a nascer e re-desdobrar-se de novo,

e tentar de novo!

Temos que aprender a Morrer e passar a Porta da Morte,

ou então vamos “entupir” esse Mundo de gente!!

Todos os animais estão na “fila” para adentrar o Reino Humano,

mas já faz séculos que não “abrimos” espaço para eles!

Estamos numa Roda Circular cada vez mais pesada e complicada!

Não querer a Morte é sinal claro de “incompreensão” da Vida!

O “Par” da Vida não é a Morte!!

O “Par” da Vida é a “Vida nos Sonhos da Noite”!

Vida Desperta e Vida nos Sonhos da Noite são ambas “reais” e extraordinárias!!

O “Par” da Morte é o “Nascimento”!

Nascimento e Morte são ambos extraordinariamente maravilhosos!

Se queres experienciar um dia sua Morte sem medo,

tens que procurar equilibrar seus dois lados,

Vida Desperta e Vida nos Sonhos da Noite!

Mas hoje sequer conseguimos “lembrar” de nossos sonhos da noite!!

A Ilha da Ambidestria vai te ajudar a entender que,

para equilibrar e vivenciar nossos “dois” lados, nossas duas naturezas,

Luz e Escuro, este lado da vida e os sonhos da noite,

temos que primeiramente,

recuperar nosso equilíbrio físico,

que perdemos completamente ao

nos tornarmos não-ambidestros, destros ou canhotos!!

Este é o caminho que chamamos na Ilha de Caminho do Invertido,

que é “inverter” sua mão ao fazer as coisas da vida,

escrever, pentear-se, fumar, lavar a louça, limpar o culo,

chutar a bola, etc.

A Ilha acredita que, devagarinho e sempre,

esse caminho leva você a seu “Meio”,

ao equilíbrio,

ao Meio da Ilha,

à Terra do Meio,

destino original de todo ser humano!

Esse caminho também leva você a ir cada vez mais se lembrando

de seus sonhos da noite, que vão se transformando em Sonhos Lúcidos,

sonhos que nos ajudam a “encaixar/balancear” nossos dois

lados, nossas duas naturezas complementares.

Que a Morte chegue, mas que Você não Morra!!”

(Sir Bob Laugh)

Sobre a projeção, os Movimentos dos Dois lados, a separação do Duplo, e a Liberdade do Meio

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“Você só pode aprender algo sobre o duplo praticando. E estou falando com você porque sua fase de transição ainda não terminou. Emilito pegou-me pelo braço e, sem dizer mais nada, praticamente arrastou-me até os fundos da casa, onde posicionou-me debaixo de uma árvore com o topo da cabeça a poucos centímetros de um galho baixo e grosso. Explicou que ia ver se eu conseguia projetar meu duplo novamente, desta vez plenamente consciente, com o auxílio da árvore.

Tive sérias dúvidas se eu seria capaz de projetar alguma coisa, e disse isso a ele. Mas Emilito insistiu que, se eu tivesse a intenção, meu duplo faria pressão de meu interior e se expandiria além dos limites de meu corpo físico.

— O que devo fazer exatamente? — perguntei, na esperança de que me mostrasse um procedimento que fosse parte da lei dos feiticeiros.

Emilito pediu-me para fechar os olhos e concentrar-me na minha respiração. À medida que fosse relaxando, eu devia ter a intenção de fluir ascendentemente, até conseguir tocar os galhos mais altos, com um sentimento proveniente do portal no topo da minha cabeça. Explicou que isto seria relativamente fácil para mim, pois eu estaria utilizando o apoio de minha amiga árvore. Prosseguiu dizendo que a energia da árvore formaria uma matriz para a expansão de minha consciência.

Após algum tempo concentrando-me na minha respiração, senti uma energia vibrando e ascendendo pela coluna vertebral, tentando abrir o topo da minha cabeça. Então algo aconteceu dentro de mim. A cada inspiração, uma linha se alongava até o topo da árvore; quando eu expirava, a linha era novamente puxada para meu corpo. A sensação de alcançar o topo da árvore tornou-se mais intensa a cada respiração, até que realmente acreditei que meu corpo estava se expandindo, tornando-se tão alto e volumoso quanto a árvore.

Em determinado momento, profunda afeição e compaixão pela árvore envolveram-me; nesse exato instante, algo ascendeu em movimento ondulante pelas minhas costas e atravessou o topo da minha cabeça, e eu me percebi contemplando o mundo dos galhos mais altos. Esta sensação perdurou apenas um instante, interrompida pela voz do caseiro, mandando-me descer e fluir novamente para dentro de meu corpo. Senti algo semelhante a uma cascata, uma efervescência fluindo para baixo, entrando pelo topo da minha cabeça e inundando meu corpo com um calor familiar.

— Você não deve permanecer misturada com a árvore por tempo demais — disse-me ele quando abri os olhos.

Senti uma vontade fortíssima de abraçar a árvore, mas o caseiro puxou-me pelo braço até uma grande rocha a alguma distância, onde nos sentamos. Explicou que, com o auxílio de uma força externa, neste caso unindo minha consciência à da árvore, é possível promover facilmente a expansão do duplo. Contudo, por ser fácil, corremos o risco de permanecer unidos à árvore por tempo demais e, nesse caso, podemos extrair a energia vital de que a árvore necessita para manter-se forte e saudável. Ou podemos deixar parte de nossa energia para trás, tornando-nos emocionalmente apegados à árvore.

—Uma pessoa pode fundir-se com qualquer coisa—explicou ele. — Se aquilo ou aquele que com que você se fundir estiver forte, sua energia será ampliada, como acontecia sempre que você se fundia ao mago, Manfred. Contudo se estiver doente ou fraco,permaneça longe. Em ambos os casos, você deve fazer o exercício com moderação pois, assim como tudo na vida, ele é uma faca de dois gumes. A energia exterior é sempre diferente da nossa, freqüentemente oposta.

Ouvi com atenção o que o caseiro dizia. Algo me chamou a atenção.

— Diga-me, Emilito, por que você chamou Manfred de mago?

— Essa é nossa maneira de reconhecer nossa singularidade. Manfred, para nós, só pode ser um mago. Ele é mais do que um feiticeiro. Ele seria um feiticeiro se tivesse vivido entre seu grupo. Ele vive entre seres humanos, feiticeiros humanos ainda por cima, em igualdade de condições. Somente um mago consumado poderia realizar tal façanha.

Perguntei-lhe se voltaria a ver Manfred; o caseiro cruzou os dedos indicadores sobre os lábios de maneira tão exagerada que fiquei em silêncio e não o pressionei mais por uma resposta.

Emilito pegou um galho e desenhou uma forma ovalada no solo macio. Em seguida, acrescentou uma linha horizontal que a atravessava ao meio. Apontando os dois lados, ele explicou que o duplo divide-se em uma parte inferior e outra superior que correspondem, aproximadamente, no corpo físico, ao abdômen e ao tórax. Duas correntes energéticas diferentes circulam nessas regiões. Na área inferior, circula a energia original que possuíamos quando ainda nos encontrávamos no útero. Na área superior, circula a energia do pensamento. Esta energia adentra o corpo por ocasião do nascimento, ao primeiro alento. Emilito explicou que a energia do pensamento é ampliada através da experiência e ascende até a cabeça A energia original mergulha na região genital. Em geral, ao longo da vida essas duas energias se separam no duplo, provocando fraqueza e desequilíbrio no corpo físico.

Ouvi com atenção o que o caseiro dizia. Algo me chamou a atenção.

— Diga-me, Emilito, por que você chamou Manfred de mago?

— Essa é nossa maneira de reconhecer nossa singularidade. Manfred, para nós, só pode ser um mago. Ele é mais do que um feiticeiro. Ele seria um feiticeiro se tivesse vivido entre seu grupo. Ele vive entre seres humanos, feiticeiros humanos ainda por cima, em igualdade de condições. Somente um mago consumado poderia realizar tal façanha.

Perguntei-lhe se voltaria a ver Manfred; o caseiro cruzou os dedos indicadores sobre os lábios de maneira tão exagerada que fiquei em silêncio e não o pressionei mais por uma resposta.

Emilito pegou um galho e desenhou uma forma ovalada no solo macio. Em seguida, acrescentou uma linha horizontal que a atravessava ao meio. Apontando os dois lados, ele explicou que o duplo divide-se em uma parte inferior e outra superior que correspondem, aproximadamente, no corpo físico, ao abdômen e ao tórax. Duas correntes energéticas diferentes circulam nessas regiões. Na área inferior, circula a energia original que possuíamos quando ainda nos encontrávamos no útero. Na área superior, circula a energia do pensamento. Esta energia adentra o corpo por ocasião do nascimento, ao primeiro alento. Emilito explicou que a energia do pensamento é ampliada através da experiência e ascende até a cabeça A energia original mergulha na região genital. Em geral, ao longo da vida essas duas energias se separam no duplo, provocando fraqueza e desequilíbrio no corpo físico.

Ele traçou outra linha, desta vez a partir do centro da elipse, dividindo-a longitudinalmente em duas partes, o que corresponde, afirmou ele, aos lados direito e esquerdo do corpo. Esses dois lados também possuem dois padrões específicos de circulação energética. No lado direito, a energia sobe pela região dianteira do duplo e desce pela região posterior. No lado esquerdo, a energia desce pela região dianteira do duplo e sobe pela região posterior.

Explicou que muitas pessoas, quando tentam ver o duplo, cometem o erro de aplicar ao duplo as leis do corpo físico, exercitando-o, por exemplo, como se fosse feito de músculos e ossos. Emilito assegurou-me de que não é possível condicionar o duplo através de exercícios físicos.

— A maneira mais fácil de solucionar esse problema é separar os dois — explicou o caseiro. — Somente quando estão incontestavelmente separados, a consciência pode fluir de um para o outro. É isso que os feiticeiros fazem. Assim, podemos dispensar a tolice de rituais, sortilégios e técnicas respiratórias elaboradas que supostamente os unificam.

— Mas e as respirações e passes de feitiçaria que Clara me ensinou?
Também são uma tolice?

— Não. Ela lhe ensinou apenas coisas que poderiam ajudá-la a separar seu corpo e seu duplo. Portanto, todas são úteis para nossa meta.

Explicou ainda que possivelmente nosso maior engano, enquanto homens, é acreditar que nossa saúde e bem-estar se encontram na esfera do corpo, quando na verdade o controle de nossas vidas se encontra na esfera do duplo. Esta falácia provém do fato de que o corpo controla nossa consciência. Emilito acrescentou que, em geral, nossa consciência é colocada na energia que circula no lado direito do duplo, o que resulta em nossa capacidade de pensar e raciocinar e lidar eficientemente com idéias e pessoas. Às vezes, acidentalmente, embora com mais freqüência, como resultado da prática, a consciência pode transferir-se para a energia que circula no lado esquerdo do duplo, resultando em um tipo de pensamento que não é tão direcionado para as realizações intelectuais ou para o trato com as pessoas.

— Quando a consciência é levada constantemente para o lado esquerdo do duplo, este é despertado e emerge — prosseguiu o caseiro — e o indivíduo torna-se capaz de realizar feitos inconcebíveis. Isto não deve surpreender, pois o duplo é nossa fonte de energia. O corpo físico é simplesmente o recipiente onde a energia é depositada.

Perguntei-lhe se algumas pessoas podem concentrar sua consciência em ambos os lados do duplo, de acordo com sua vontade. Ele assentiu

— Os feiticeiros podem fazer isso. No dia em que conseguir fazer isso, você será uma feiticeira.

Afirmou que algumas pessoas podem transferir sua consciência para o lado direito ou esquerdo do duplo, após concluírem com sucesso o vôo abstrato, simplesmente manipulando o fluxo de sua respiração. Estas pessoas podem praticar feitiçaria ou artes marciais assim como são capazes de manipular intrincados constructos acadêmicos. Ressaltou que o impulso de transferir a consciência regularmente para a esquerda constitui uma armadilha infinitamente mais fatal do que os atrativos da vida cotidiana, devido ao mistério e poder a ele inerentes.

— A verdadeira esperança para nós está no centro—explicou ele, tocando minha testa e o centro de meu peito —, pois no muro que divide os dois lados do duplo existe uma porta secreta, que se abre para um terceiro compartimento, estreito e secreto. Apenas quando esta porta se abre é que se torna possível experimentar a verdadeira liberdade. Emilito segurou meu braço e retirou-me da pedra.”

(A Travessia das Feiticeiras, Taisha Abelar)

Os 7 portais do corpo: equilibrando o Duplo

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“Talvez você não acredite — sussurrou ele —, mas você e eu somos basicamente iguais.

— Como, Emilito?

— Ambos somos um pouco loucos—falou ele com a expressão mais séria.—Preste muita atenção e lembre-se disto: para que você e eu sejamos sãos, temos de trabalhar como demônios para harmonizar não o corpo ou a mente, mas o duplo.

Percebi que não adiantava discordar ou concordar com ele. Mas quando me sentei novamente à mesa da cozinha, perguntei a Emilito:

— Como podemos ter certeza de que estamos harmonizando o duplo?

— Abrindo nossos portais — replicou ele. — O primeiro portal fica na sola do pé, na base do dedão.
Estendeu o braço por sob a mesa, segurou meu pé esquerdo e, com um movimento incrivelmente rápido, retirou meu sapato e minha meia. Em seguida, usando o dedo indicador e o polegar como um torno, pressionou a protuberância arredondada em meu dedão, na sola de meu pé, e a articulação do dedão, no peito de meu pé. A dor aguda e a surpresa fizeram-me gritar. Puxei o pé com tanta força que bati com o joelho debaixo da mesa. Pus-me de pé aos gritos.

— Que diabos você pensa que está fazendo?

Ele ignorou minha explosão de raiva e falou:

— Estou indicando os portais para você, de acordo com a lei; portanto, preste atenção. — Emilito ficou de pé e veio para meu lado da mesa. — O segundo portal é a área que inclui as panturrilhas e a parte interior do joelho. explicou, inclinando-se e tocando minhas pernas. — O terceiro situa-se nos órgãos sexuais e no cóccix.
Antes que eu pudesse me afastar, ele colocou suas mãos quentes em minha virilha e levantou-me um pouco, apertando-me com firmeza. Lutei para soltar-me, mas ele agarrou a parte inferior de minhas costas.

— O quarto e mais importante fica na região dos rins — indicou. Sem atentar para meu constrangimento, ele me recolocou na cadeira. Levou as mãos às minhas costas. Encolhi-me mas, por Nelida, permiti que ele me tocasse.—O quinto ponto situa-se entre as omoplatas—falou ele.—O sexto na base do crânio. E o sétimo no topo da cabeça. — Para definir o último ponto, ele pressionou o topo da minha cabeça com os nós dos dedos.
Emilito voltou para seu lado da mesa e sentou-se.

— Se nosso primeiro ou nosso segundo centro estiver aberto, nós transmitimos um certo tipo de força que as pessoas podem considerar intolerável — prosseguiu. —For outro lado, se o terceiro e quarto portais não estiverem tão fechados como deveriam, transmitimos determinada força que as pessoas acharão extremamente atraente.
Eu sabia que os centros inferiores do caseiro estavam totalmente abertos, pois achei-o tão detestável e intolerável quanto alguém podia ser. Em parte por brincadeira e em parte por culpa de sentir tais coisas a respeito dele, admiti que as pessoas não ficavam à vontade comigo. Eu sempre atribuíra isto a uma falta de encanto social, que eu me sentia na obrigação de compensar sendo duplamente adaptável

— É natural — disse ele, concordando. — Seus portais dos pés e panturrilhas estiveram parcialmente abertos a vida inteira. Outra conseqüência desses centros inferiores estarem abertos é que você tem dificuldade de caminhar.

— Espere um momento — pedi. — Não há nada errado na minha forma de andar. Eu pratico artes marciais. Clara me disse que meus movimentos são suaves e graciosos. Ouvindo isto, ele desatou a rir.

— Você pode praticar o que quiser—retorquiu—e continuará arrastando os pés quando andar. Você tem o modo de caminhar de um velho. Emilito era pior do que Clara. Ela ao menos tinha a delicadeza de rir comigo e não de mim. Ele não tinha absolutamente nenhuma compaixão por meus sentimentos. Censurava-me como crianças mais velhas censuram as mais novas e mais fracas, que não têm como defender-se.

— Você não ficou ofendida, não é? — perguntou, avaliando-me.

— Eu, ofendida? Claro que não. — Eu estava fervendo.

— Ótimo. Clara me garantiu que você se livrou da maior parte de sua autopiedade e vaidade através da recapitulação. Recapitular sua vida, especialmente sua vida sexual, abriu ainda mais alguns de seus portais. O estalido que você vai ouvir em seu pescoço será o momento em que seus lados direito e esquerdo vão se separar, o que vai deixar um abismo bem no meio de seu corpo, onde a energia ascende até o local do pescoço onde o som é ouvido.
Ouvir este estalido significa que seu duplo está prestes a tornar-se consciente:

— O que devo fazer quando ouvir esse som ?

— Saber o que fazer não é tão importante, pois podemos fazer muito pouca coisa — explicou. — Podemos permanecer sentados de olhos fechados ou podemos levantar e nos movimentar. O importante é saber que somos limitados. pois nosso corpo físico controla nossa consciência Mas se pudermos alterar isto, de modo que nosso duplo passe a controlar nossa consciência, poderemos fazer praticamente tudo o que imaginarmos.”

(A Travessia das Feiticeiras, Taisha Abelar)